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terça, 22 novembro 2016 15:48

Pedro Santos: “As filarmónicas devem ser implacáveis no que diz respeito ao seu património artístico”

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Natural de Marvila, concelho de Santarém, Pedro Santos é desde setembro último, maestro e professor da Sociedade Musical e Recreativa do Xartinho. Em entrevista ao Portal de Alcanede elegeu como grande aposta, a formação na Escola de Música, “é aqui que se define a qualidade da banda e dos seus músicos”.




Como se deu a oportunidade de dirigir a Banda do Xartinho?

xartinho banda 01A oportunidade surge por convite da direção da SMRX, após se depararem com a demissão do maestro e com um clima de alguma desmotivação por parte dos músicos. As instituições são eternas, nós humanos que as criámos, apenas passamos por elas dando o nosso contributo deixando e retirando experiências/aprendizagem, assim se dá a evolução das nossas instituições. Eu dirigia a Sociedade Filarmónica de Alvorninha (Caldas da Rainha). A direção da SRMX certamente apreciou o meu trabalho, e identificou-me como possível Maestro da sua banda, contactou-me em princípios de agosto, reunimos e acertámos necessidades, ideias, projetos, pormenores, enfim o contrato, tendo eu iniciado os trabalhos em setembro.

O que espera da direção da coletividade que também sofreu alguma renovação?

Em poucas palavras digo, espero visão, empenho, trabalho, bairrismo (saudável) e humildade, aliando um forte espírito de equipa e entreajuda voluntária.

Neste momento quais são os grandes desafios que se colocam pela frente?

Bem esta pergunta tem já da vossa parte uma resposta mais que óbvia. Será pôr tudo a funcionar, no que diz respeito às minhas funções, o mais corretamente possível.
Um primeiro desafio, será colocar toda a SMRX a caminhar no mesmo sentido, criar um espírito de grupo e equipa bem motivado, consciente das suas capacidades e dificuldades, para as várias frentes de ação, escola de música e banda, depois sim, podemos falar de projetos e desafios.

As filarmónicas devem ser “implacáveis” no que diz respeito ao seu património artístico, peditórios, arruadas, procissões, romarias, arraiais, touradas e concertos, não devem nunca desprezar nenhum destes serviços, ou cumpri-los menos bem, conseguir corresponder a tudo isto é um desafio para todos, músicos, diretores e maestro.

Entre esses desafios, gostaria de destacar aquele que lhe parece mais premente?

xartinho banda 04Sim claro, a grande aposta da minha parte é a formação, ou seja, escola de música, é aqui que se define a qualidade da banda e dos seus músicos. O desafio é aumentar em qualidade a formação, de forma a obter mais alunos a querer a nossa aprendizagem.

E como é que na sua perspetiva se atingem esses objetivos?

Com aquilo que referi anteriormente, “visão, empenho, trabalho, bairrismo (saudável) e humildade, aliando um forte espírito de equipa”. Se eu espero isto da direção terei de ser o primeiro a dar o exemplo, será com estes valores que atingiremos os objetivos.

A escola de música está a funcionar neste momento com quantos alunos?

Temos cerca de 15 alunos, metade em iniciação, outros que já tocam na banda mas que continuam a querer saber mais e mais.


Há capacidade para acolher mais alunos?

Sim claro, há capacidade para mais.

São todos jovens da freguesia?

Felizmente, e aqui a freguesia deve ter orgulho nisso, temos vários alunos de fora da freguesia, que não se importam nada de vestir uma farda que representa uma freguesia que não a sua, é sinal que a freguesia de Alcanede tem um produto que a deles não tem.

Temos por ali potencial?

Sim temos!

xartinho banda 05Ao longo da minha formação e atividade musical, aprendi que potencial e talento são palavras muito amplas ou abertas, eu prefiro utilizar a palavra vontade em três frentes: vontade do professor em ter sucesso, vontade do aluno em aprender, vontade também do meio que rodeia o aluno, de lhe proporcionar impulsos e condições de aprendizagem.
O professor deve ter vontade de perceber o que sugere interesse no aluno, este por sua vez retribuirá com a sua vontade de querer saber mais. O meio que o rodeia deve estar atento e se algo estiver a desmoronar deve ter vontade de ajudar o aluno, eventualmente professor, afinal de contas somos todos humanos e ninguém é detentor de toda a sabedoria.

Em média em quanto tempo se forma um bom músico?

Sendo a música uma linguagem, eu diria no mínimo 10 anos!
Nós aprendemos a falar no seio da nossa família, amigos, vizinhos, até que vamos para o 1º ciclo pôr nos cadernos, reparando e melhorando, o discurso que até agora aprendemos. No final do 1º ciclo (10 anos de idade) estamos aptos a entender por exemplo o que está escrito nesta entrevista, conclui-se que sabemos ler e escrever, acabaremos a nossa licenciatura por volta dos 22 anos de idade, (se fizermos o percurso todo seguido claro e sem chumbos). E agora já somos bons? Não faltará experiência de trabalho na área?
Eu irei sempre procurar formar bons alunos, e que estes sintam sempre a vontade de aprender cada vez mais, e a esses, sim, chamarei de bons músicos filarmónicos, ou quem sabe, bons profissionais.
Desde que entram na escola de música até estarem a tocar com segurança na banda (os bons músicos), eu diria +/-1 ano na escola, somando no mínimo duas épocas de serviços, tendo em conta que o desejo em aprender continua desperto a essa altura.

Que conselhos dá aos jovens que estão a iniciar e que muitas vezes vão com a cabeça cheia de sonhos?

Que devem sonhar muito, é a sonhar que nós nos construímos intelectualmente. Depois é controlarem o percurso, despertando a dita vontade, apelarem à calma se for necessário, preparando-se para que saibam também lidar com o insucesso, este andará sempre de mão dada com o seu oposto.

O que mais apreciou durante o tempo em que iniciou a sua própria formação?

xartinho banda 03Já que me coloca esta questão, permita-me que a direcione para a Filarmónica onde iniciei os meus estudos, a Sociedade Filarmónica Instrução, Recreio e Cultura Musical de S. Sebastião.
O que mais apreciei foi o acolhimento que tive, as pessoas que lá estavam há 20 anos (alguns ainda estão), despertaram valores em mim, que utilizarei sempre no meu dia a dia, trabalho de equipa, confiança, amizade, companheirismo, entreajuda e claro, a paixão e respeito pela musica.
Por forma a não esquecer ninguém, deixo aqui um grande obrigado à Filarmónica de S. Sebastião (de1996), cumprimentando o seu Maestro de então, o Sr. Manuel Albertino Duarte Pereira.

Neste momento qual é a media de idades dos elementos que formam a banda do Xartinho?

A SMRX é neste momento uma Banda com 7 décadas de história , mas com uma média de idades na casa dos 22\23 anos.

Concretamente, o que pretende fazer da filarmónica com a matéria humana que possui e que está em formação?

Pretendo transmitir formação e valores, assim como ferramentas para que cada um procure evoluir e explorar os estudos musicais. Se conseguir isso, tornarei a SMRX muito mais forte, o público mais exigente e a população, culturalmente muito mais enriquecida.

Neste momento todos os músicos estão dotados de instrumentos que satisfazem ou há carências a este nível?

Felizmente não há instrumentos obsoletos, todos os músicos têm instrumento funcional, no entanto e como é óbvio, devido à idade de alguns e às novas exigências do reportório, sim há carências.
Qualquer musico, com um instrumento melhor seriam uma mais valia para a banda, incluir instrumentos como: oboé, fagote, clarinete baixo, trombone baixo, vibrafone, xilofone, marimba e tímpanos, seria fantástico. O facto é que não é só haver verba para os adquirir, há um conjunto de fatores a avaliar, e que neste caso não fará destes instrumentos uma carência, em primeiro lugar os “alicerces” depois os “pilares” as “paredes” e por aí fora.

Qual é a sua visão de apoio à cultura?

Bem, por vezes, infelizmente não passa disso, de uma “visão”! O apoio à cultura tem de ser um compromisso de todos!
Qualquer produto no mercado tem produtor, transportador, vendedor, consumidor e critico. Todos estes elementos são fundamentais, por vezes ainda há mais pelo caminho, mas uns não fazem sentido sem os outros.
A cultura deve ser apoiada se argumentar a construção de um produto inovador, se as perspetivas de consumo forem altas, se o consumidor aderir e a crítica for favorável, mas a cultura também tem de ser apoiada para que se motive o produtor, desafie o vendedor, alicie o consumidor e ilumine a crítica.

O maestro também deverá ter sonhos que gostaria de realizar, no plano artístico qual é o seu sonho?

O meu sonho é nunca perder a vontade de aprender, ter sempre consciência musical e humana por forma a respeitar esta tão nobre arte e os seus artistas.


xartinho banda 02CURRICULUM
Nome Completo: Pedro Filipe Ramos Lopes dos Santos
Idade: 34

Pedro Santos, nasceu a 29-07-1982 em Marvila concelho de Santarém. Aos 14 anos de idade inicia os seus estudos musicais na Sociedade Recreativa, Instrução e Cultura Musical de São Sebastião (Rio Maior) sob a orientação do Maestro de então Manuel Albertino Duarte Pereira, professor de Solfejo e Tuba Mib.

Aos 17 anos inscreve-se na classe de tuba no Conservatório de Musica de Caldas da Rainha sob orientação dos professores Sérgio Carolino e Adélio Carneiro, onde completou o 5º grau, com pedido de transferência à escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa, conclui nesta sob orientação do Prof. Nuno Fernandes o 8º grau de ensino (Tuba).

Após ter feito concurso e recruta, é colocado a 18 de Outubro de 2005 na Banda Sinfónica do Exército como Soldado Musico RC e em 2008/2009 frequenta o 37º Curso Formação de Sargentos (CFS músico) do Exercito, tendo em Outubro de 2010 ingressado no Quadro Permanente da instituição.

Durante os seus estudos musicais Frequentou vários Cursos, Worshops e Master Class de Tuba/Direcção de Bandas onde se destacam os seguintes Professores, Instrumento; Élio Fróis, Simões Ribeiro; Sérgio Carolino; Anne-Jelle Visser; Oystein Baadsvik. Direcção de Banda; Professores e Maestros, Francisco Ferreira; José Pedro Figueiredo e Tristão Nogueira; José Brito; Carlos Marques; Alberto Roque; Robert Houlian e Frank De Vuyst.

Como músico nas mais variadas, orquestras de sopros, brass bands, grupos de música de camara e bandas filarmónicas trabalhou com diversos Maestros dos quais se destacam Jean-Sébastien Béreau, Christopher Bochmann, Felix Hauswirth, Timothy Reynish, Alberto Roque, Vasco Pearce de Azevedo, Délio Gonçalves, Daniel Shvetz, Hugo Assunção, Sérgio Carolino e José Augusto Carneiro.

Foi músico fundador da Associação Musical do Ribatejo, músico fundador do Grupo “TST”, professor fundador da Escola de Musica do Rancho Folclórico da Freguesia de Fráguas (leccionou formação musical), Prof. de Formação Musical e Classe de Metais da S. Fil. Cult. Inst. De São Sebastião, Prof. convidado da Escola Musica do Arco da Memoria Rio Maior e Prof. De Tuba e Eufónio da Orquestra de sopros de Pragança, Prof. De Tuba e Eufónio da Sociedade Filarmónica Alcanedense.

Em Outubro de 2007 Inicia a sua carreira como Maestro assumindo a Direcção Artística da Sociedade Filarmónica de Alvorninha, assim como as Disciplinas de Iniciação\Formação Musical e Classe de Metais da referida Sociedade. (Cargo e funções que se encontra a sessar). Em Setembro de 2016 assume a Direção Artística da Sociedade Recreativa Musical do Xartinho, assim como as Disciplinas de Iniciação\Formação Musical e Classe de Metais da referida Sociedade.

Terminou a 03fevereiro de 2015 na Escola Superior de Musica de lisboa a sua licenciatura em Tuba sob orientação do Professor Adélio Carneiro.

Atualmente é 1º Sargento músico na Banda do Exercito, A sessar funções de maestro na S.F. Alvorninha, Maestro e professor na S.R.M. do Xartinho aluno do Curso Direcção S.F.Palmela nível II, sob orientação de Frank De Vuyst, colaborando regularmente com vários agrupamentos, orquestras e bandas civis.

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