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Daqui deste lado (2)

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Ontem tive oportunidade e o cuidado de passar pela Estrada, chamada pomposamente, Regional 361, para ver para crer, como dizia o S. Tomé. Constatei que no troço entre Alcanede e Amiais de Cima, o tal troço que pretensamente está em obras, numa curva, havia uma carrinha com dois funcionários, um deles a tapar os buracos maiores com uma massa de alcatrão e outro a manusear uma espécie de batedor de calçada para dar a aparência que o buraco ficava mesmo tapado, até às próximas chuvas. Do outro lado da estrada havia um operador, de raquete em punho, a ordenar o escasso trânsito.

Face ao que vi, fiquei convencido que esta operação pode ter uma de duas finalidades. Ou é para regularizar o piso tendo em vistas uma próxima aplicação da indispensável camada de betuminoso para dar outro aspeto e outra segurança à estrada ou, ao invés, para tapar os olhos e distrair quem por ali passa, tudo ficando por ali, à espera de novas ordens.

Como não tenho o condão de adivinhar o futuro, não sei qual das duas hipóteses é que vai vencer. Mas, como se diz, gato escaldado até de água fria tem medo, se calhar inclino-me mais para a segunda hipótese. Estão a tapar alguns buracos para tapar os olhos aos transeuntes, mais nada, presumo eu.

Fui andando e quando cheguei a Amiais de Cima, lá estava a placa indicar fim de obra, como se o resto da estrada fosse de outro dono, quem sabe se de outro planeta. Mas alguém, no seu estado normal de sanidade mental pode compreender isto? Aliás, tudo isto acontece porque os autarcas que estão perto da estrada e do povo que os elege, também colaboram na farsa, quanto mais não seja, com o seu silêncio.

Resumindo e concluindo, para encanar a perna à rã, aquele andar, devagar, devagarinho, para além de muitas vezes parado, não está nada mau e nem precisa de mais explicações. Penso que todos podemos esperar, sentados, pelo arranjo da tal ER 361.

De qualquer forma, uma vez que os responsáveis parecem não ter pressa para arranjar o que tem sido esquecido ao longo de tantos anos, a tal ER 361, penso que seria de bom-tom que alguém criasse uma portagem, a portagem da coragem, para quem tem mesmo a coragem de por ali passar. Mas neste caso seria uma portagem ao contrário. Quem por ali passa deveria receber 1 €uro por cada quilómetro percorrido naquela picada. Mas como tudo isto é excecional, os pesados receberiam 2€uros por quilómetro. Podia ser que as coisas andassem menos devagar.

Será que esta ideia tem pernas para andar? A ver vamos. Eu só lá passei para constatar o andamento. Aliás não fiquei desiludido porque já me habituei a promessas não cumpridas. Mas há pessoas que por ali passam todos os dias porque são obrigadas e porque não têm alternativa. Não será tempo de se procurar fazer outra movimentação de pessoas e de se voltar a chamar a comunicação social para mostrar ao país o estado a que chegou aquela Estada Regional?

Falo assim porque num Inverno recente, tive que meter dois pneus no meu carro, alinhar a direção e calibrar as rodas, tudo pago por mim, com dinheiro meu, só porque um buraco maior estava cheio de água e só me apercebi da sua profundidade quando lá caí dentro. Estou portanto a falar com sobejas razões para não estar calado. Mas há muita gente muito mais prejudicada do que eu e que são obrigados a continuar a passar por ali.

O estado a que chegou a ER 361 devia fazer corar de vergonha os responsáveis por tudo isto, e serão vários a vários níveis, mas só, e, se ainda tivessem algum pingo da mesma.

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Lido 1756 vezes Modificado em quarta, 18 abril 2012 16:05